terça-feira, 6 de novembro de 2018

Insulina sem mistérios

Já falamos aqui sobre o uso de insulina no diabetes tipo 2 (leia Insulina sem estigma - Parte 1 e Parte 2). Para quem já superou o medo e o preconceito e se dispõe a encarar a insulinização, aqui vão algumas informações para você  não ficar perdido em meio a tantos nomes, tipos e funções das insulinas existentes no mercado.

TIPOS
Até início dos anos 1980, as insulinas usadas para tratamento do diabetes eram extraídas do pâncreas de animais (bois e porcos). Em 1982, surge a insulina humana – que, ao contrário do que o nome pode sugerir, é produzida em laboratório. Trata-se de um medicamento biológico, ou seja, desenvolvido a partir de organismos vivos, como bactérias e vírus. Na verdade, a insulina humana foi o primeiro medicamento do planeta a usar a tecnologia do DNA recombinante, por meio de uma cultura de bactérias.
As insulinas humanas disponíveis hoje no mercado são a NPH e a Regular. Além delas, existem as chamadas insulinas análogas, produtos nos quais a estrutura dos componentes (aminoácidos) é modificada de forma a alterar o tempo de ação.

APRESENTAÇÃO
As insulinas podem vir em frascos (10 ml, para uso em seringas), canetas descartáveis (3 ml) ou refis (3 ml, para uso em canetas de aplicação). Outra forma de administração é o Sistema de Infusão Contínua (a “bomba de insulina”).
A insulina deve ser injetada diretamente no tecido subcutâneo (entre a pele e o músculo). Não pode ser “tomada” em pílulas ou cápsulas, pois seria destruída pelos sucos digestivos presentes no estômago.

TEMPO DE AÇÃO
O pâncreas produz insulina constantemente, em níveis baixos, para manter a liberação contínua de glicose para as células. Esse mecanismo é chamado de basal. Quando a pessoa se alimenta, há maior necessidade de insulina e o pâncreas então libera uma quantidade maior do hormônio. Esse é o mecanismo de bolus.
As insulinas disponíveis no mercado se diferenciam pelo seu tempo de ação. Essa distinção existe para simular o que ocorre com o organismo humano. As insulinas de ação intermediária e lenta imitam o fornecimento basal natural do organismo. Já as de ação rápida ou ultrarrápida proporcionam resultado semelhante ao sistema de bolus, necessário depois das refeições.
As insulinas:


Algumas pessoas utilizam como sistema terapêutico a insulinização plena (também chamado de sistema basal-bolus), com múltiplas doses diárias de dois tipos de insulina. É o caso de todos os indivíduos com diabetes tipo 1. Mas também pode ser o necessário no DM2, quando a secreção de insulina endógena está em níveis muito baixos.
O mais comum no diabetes tipo 2, porém, é o uso de injeções de insulina apenas na função basal, integrando-se o tratamento com medicação oral.

Dúvidas?
Diante de tantas marcas e “modelos”, fica a dúvida: qual a melhor insulina? A resposta é categórica: DEPENDE! Sim, a melhor insulina é aquela que funciona melhor para você. É possível ter bom controle mesmo usando a “velha” insulina NPH. Por outro lado, os produtos de última geração sozinhos não garantem a glicemia dos sonhos.
EM TEMPO: pacientes e profissionais de saúde têm o direito -- e o dever -- de lutar pelo melhor tratamento, sempre. Mas isso não significa necessariamente o tratamento de última geração.
Converse com seu médico. Juntos, vocês podem avaliar qual o produto que melhor se adapta a seu perfil, levando em conta como anda o controle glicêmico, a sua rotina e, claro, os custos (ou as condições para obter o medicamento).
Vale destacar, porém, que depois de iniciada a insulinização, de nada adianta ficar com a mesma prescrição por anos a fio. As doses precisam ser constantemente avaliadas e, se necessário, atualizadas. Como? Com a ajuda da monitorização da glicemia, a melhor ferramenta disponível para saber como anda o controle e o tratamento em vigor. Não está funcionando? Depois do almoço a glicemia sobe? À noite vem hipoglicemia? Volte ao médico com as informações para rever o esquema de insulinização.

Ou seja: parafraseando um político das antigas, o preço do bom controle glicêmico é a eterna vigilância. Sempre.

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