terça-feira, 9 de abril de 2019

Medicamentos também precisam de cuidados


No último post, falamos aqui sobre os agentes antidiabéticos (medicamentos) existentes no mercado brasileiro. Certamente, a medicação é um dos pilares do tratamento do diabetes tipo 2.
Mas, depois de decidido junto com o médico o remédio mais indicado para o seu diabetes, alguns outros cuidados são necessários. Sim, é preciso cuidar bem do seu medicamento! Porque pequenos detalhes podem fazer grande diferença no controle da glicemia.
Como? Veja as orientações a seguir.
  • ·       Pode parecer óbvio, mas só use medicamentos receitados pelo seu médico. Não vale o remédio “infalível” do vizinho nem a “pílula mágica” que você viu na internet.
  • ·       Óbvio também: tome a medicação de acordo com o indicado pelo médico. Ok, você tem inúmeras pílulas para ingerir, de manhã, na hora do almoço, à noite... Mas não adianta, por exemplo, tomar tudo de uma vez para “ficar livre”. Cada medicamento tem um mecanismo de ação, muitas vezes dependente do horário de ingestão.
  • ·       Esqueceu de tomar? Se está próximo do horário, pode ingerir normalmente. Se estiver próximo do horário seguinte, não tome, para não dobrar a dosagem ingerida.
  • ·       Informe seu médico sobre os outros medicamentos que você toma. Assim, é possível prevenir interações indesejáveis.
  • ·       Tem dúvidas? Pergunte ao médico, ao farmacêutico ou a qualquer membro da sua equipe de saúde sobre a ação do medicamento, efeitos colaterais, interação com outros remédios. Informação é fundamental.
  • ·       Tenha sempre à mão a última receita médica. Pode ser uma cópia, para não perder a original.
  • ·       Informe-se com seu médico e equipe de saúde o que fazer caso você não você tenha que ficar sem se alimentar. Pode ser jejum por causa de um exame de sangue ou algum mal-estar que lhe impeça de comer adequadamente. Lembre-se de que alguns medicamentos podem causar hipoglicemia.
  • ·       Tome o medicamento sempre com água. Essa é a recomendação padrão. Se você não consegue, pergunte ao seu médico se aquele remédio em particular pode ser ingerido com suco ou leite. Mas atenção: com bebida alcoólica, NUNCA.
  • ·       Só retire o medicamento da embalagem original na hora de ingerir. O local onde são acondicionadas as pílulas é cuidadosamente planejado para conservar as propriedades do fármaco. Alguns, por exemplo, são sensíveis à luz e podem perder propriedades se expostos. Aquelas caixinhas de remédios são bárbaras para evitar esquecimentos. Mas se as pílulas ficarem lá todas misturadas, pode ser problema. Se você quiser separar os remédios por dia ou horário, recorte as cartelas preservando o invólucro das pílulas.
  • ·       Mantenha os medicamentos em local arejado, longe de fontes de calor e luz intensa (janelas, eletrônicos, em cima da geladeira, micro-ondas, aparelho de televisão). Também evite locais úmidos, como o banheiro ou a pia da cozinha. E não guarde com alimentos ou próximos a produtos de limpeza e perfumaria
  • ·       Não deixe os medicamentos ao alcance de crianças e animais domésticos.
  • ·       Na hora de transportar, leve em consideração as orientações acima, ou seja, evite expor os medicamentos ao calor e à umidade. Carregue suas pílulas sempre com você. Nunca deixe no carro, pois a temperatura pode ser mais elevada do que o recomendado. Em viagens, leve perto de você (na bolsa de mão, nunca no porta-mala ou bagageiro do carro/avião).
  • ·       Não jogue os medicamentos vencidos no lixo nem em vasos sanitários. Leve para a farmácia mais próxima.


E a insulina?
Sim, a insulina exige ainda mais cuidados na hora do armazenamento e transporte. Segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a insulina deve ser armazenada em geladeira doméstica, entre 2 e 8ºC. Para isso, precisa ser armazenada nas prateleiras do meio ou inferiores ou ainda na gaveta de verduras. Congelador, nem pensar (se congelada, a insulina DEVE ser descartada).
O ideal é deixar o frasco longe de portas e paredes do refrigerador, manter na embalagem original (a caixinha) e dentro de um recipiente de plástico ou metal, com tampa. Isopor não pode, porque é isolante térmico e vai deixar o “fresquinho” da geladeira longe da insulina.
Isso vale para a insulina de reserva. A insulina em uso não precisa de refrigeração, desde que mantida abaixo dos 30 ºC. Se mantida na geladeira, deve ser retirada para temperatura ambiente pelo menos 15 minutos antes da aplicação. Canetas recarregáveis (com refil) não podem ser mantidas na geladeira, porque o frio pode causar danos ao mecanismo do dispositivo. Importante: em qualquer caso, insulina aberta dura entre 4 e 8 semanas (veja as recomendações do fabricante), independentemente da data de validade do frasco. Dica: quando abrir um frasco ou refil novo de insulina, anote a data. Assim você não corre o risco de usar o produto além do tempo recomendado, o que pode trazer resultados não desejados.
E na hora de transportar a insulina? Se for o frasco ou caneta em uso, a preocupação se resume a evitar exposição em locais muito quentes. Já a insulina de reserva pode ser transportada em embalagem térmica, tomando o cuidado para que não entre em contato direto com o gelo ou similar, quando usado. Em viagens, independentemente da forma e do tempo, a insulina sempre deve ser transportada na bagagem de mão.
Reiterando: insulina ou medicamento mal conservados podem ter uma ação diferente da esperada e desejada. Por isso essas orientações são tão importantes. Não deixe seu controle glicêmico ser afetado por um problema simples de contornar.

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