terça-feira, 3 de dezembro de 2019

De bem com a vida. E com o coração.


Ser otimista faz bem para a saúde. Não é mito popular, é o que diz a ciência: estudo publicado em setembro no periódico americano JAMA Network Open concluiu que ter uma atitude otimista perante a vida reduz a ocorrência de eventos cardiovasculares (como infarto e AVC) e a morte por todas as causas.
O estudo – realizado pela conceituada Icahn School of Medicine do hospital Mount Sinai, de Nova York – é uma meta-análise, ou seja, analisou dados de 15 pesquisas sobre o assunto, envolvendo perto de 230 mil pacientes, acompanhados por em media 13,8 anos.
Os resultados são categóricos: otimismo diminui a ocorrência de problemas do coração em nada menos do que 35%! E a redução do risco de morte por todas as causas entre os mais animados é de 14%.
Segundo o líder da pesquisa, o dr. Alan Rozanski, os resultados mostram que “o otimismo é também um importante fator de saúde que ainda não foi bem estudado”. Jeff Huffman,  do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, lembra que esses achados “são consistentes com uma crescente e ampla literatura que mostra que o otimismo em particular e o bem-estar psicológico em geral têm uma associação independente com os resultados cardiovasculares e gerais da saúde”.
O que literatura científica ainda não conseguiu precisar é qual mecanismo fisiológico ligaria diretamente uma atitude positiva a uma vida mais saudável. Uma das hipóteses é que o otimismo seria capaz de reduzir o estado inflamatório do organismo, estado esse comprovadamente associado ao desenvolvimento de doenças.
Por ora, é possível afirmar que otimismo pode estar associado a melhores hábitos de saúde, como a prática de atividade física e alimentação equilibrada. Pessimistas em geral fumam mais, bebem mais e tendem a ser mais sedentários, dizem os pesquisadores. Para o Dr. Rozanski, os dados são consistentes com as evidências “de que os otimistas têm melhores habilidades para a vida e mecanismos de enfrentamento, incluindo uma tendência maior a adotar comportamentos pró-ativos que evitam problemas futuros. Os hábitos pró-ativos de saúde parecem fazer parte disso. ”
O próximo passo das pesquisas é descobrir se induzir otimismo (ou “tratar” o pessimismo) produz benefícios semelhantes à saúde. "Estudos futuros devem procurar definir melhor os mecanismos bio-comportamentais subjacentes a essa associação e avaliar o benefício potencial de intervenções projetadas para promover otimismo ou reduzir o pessimismo", afirmam os autores.

E o diabetes?
Claro que tudo que contei acima leva à conclusão de que devemos ser otimistas. Quem tem diabetes, a rigor, deveria procurar mais ainda essa atitude positiva, para evitar os riscos cardiovasculares.
Mas quem se percebe diariamente com uma condição crônica, que exige tantos cuidados e preocupações, pode nem sempre conseguir manter o otimismo. Como lidar com o chamado diabetes distress, termo que descreve a angústia resultante do convívio com o diabetes e o ônus da incansável autogestão (tema para outro post)? 
Bem, volto aqui ao tema desse blog: sair do armário! Sim, porque a primeira atitude positiva a ser tomada frente ao diabetes é assumir a condição. É falar – sem vergonha, sem medo e sem preconceito – sobre todas as preocupações, dificuldades, dúvidas. Leia Porque estou aqui e Estigma.
Não precisa ser feliz e otimista PORQUE tem diabetes. Mas dá para ser feliz e otimista APESAR do diabetes.


Referência:
Rozansky A et al. Association of Optimism With Cardiovascular Events and All-Cause Mortality: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2019;2(9):e1912200.d Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2019;2(9):e1912200.

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