sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A epidemia do sofá


A prestigiada revista científica The Lancet Global Health Journal publicou no último dia 4 de setembro um artigo alarmante: levantamento capitaneado pela Organização Mundial da Saúde constata que mais de um quarto da população adulta do planeta – 27,5% ou nada menos do que 1,4 bilhão de pessoas – são insuficientemente ativas. E, portanto, em maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e alguns tipos de câncer.
Pior ainda para nós: o Brasil ocupa o 5º lugar deste ranking funesto, com o levantamento mostrando que a inatividade física atinge 47% da população brasileira – 53% das mulheres e 40% dos homens acima de 18 anos. Perdemos apenas para Kuwait (67%), Samoa Americana (53,4%),  Arábia Saudita (53,1%) e Iraque (52%)
O levantamento da OMS (Worldwide trends in insufficient physical activity from 2001 to 2016) computou dados de 358 pesquisas de 168 países, incluindo um total de 1,9 milhões de participantes. Contempla a atividade física realizada no trabalho, em casa, para transporte e durante o tempo livre.
Outro ponto preocupante: ao comparar dados de 2001 e 2016, o estudo revela que os níveis de inatividade física permaneceram estáveis. Ou seja: ao contrário de outros fatores de risco para a saúde, os níveis de inatividade física não estão caindo, como bem lembra a principal autora do estudo, Regina Guthold (OMS, Suíça). No caso do Brasil, a coisa foi um pouco pior: a taxa de inatividade cresceu mais de 15%. Crescimento similar aconteceu também na Alemanha, Bulgária, Filipinas e Singapura.


As mulheres são menos ativas do que os homens em todas as regiões do mundo: cerca de uma em cada três mulheres (31,7%) e um em cada quatro homens (23,4%) não atingem os níveis recomendados de atividade física para se manterem saudáveis. As maiores diferenças de nível de inatividade entre os gêneros foram encontradas na Ásia (sul e centro), Oriente Médio e norte da África.
As regiões do mundo com maior prevalência de inatividade são, segundo o levantamento, América Latina e Caribe (43,7%), sul da Ásia (43%) e países ocidentais de alta renda (42,3%), como Alemanha (42%), Portugal (43,4%), Itália (41,4%), Estados Unidos (40%) e Bélgica (35,7%). Aliás, nos países com população de alta renda a inatividade é duas vezes mais alta. O que pode ser explicado pela prevalência de ocupações mais sedentárias e maior uso do transporte motorizado.
O que esses números evidenciam, acima de tudo, é que alguma coisa precisa ser feita – e rapidamente – para mudar esse cenário. O artigo cita o Brasil como um dos países nos quais, devido à rápida urbanização, a adoção de políticas para estimular a atividade física da população é particularmente importante. Segundo a OMS, cabe aos países implementar políticas públicas para encorajar o uso de transporte não motorizado (como caminhada e ciclismo) e promover atividades recreativas/esportivas no tempo livre dos indivíduos, com a melhoria em infraestrutura e criação de ambientes que estimulem a atividade física -- parques, espaços públicos aberto e locais de trabalho, por exemplo. É preciso aumentar as oportunidades para que pessoas de todas as idades e habilidades sejam ativas, todos os dias.
Para isso, vale lembrar o Plano de Ação Mundial sobre Atividade Física e Saúde: More active people for a healthier world (veja Por mais pessoas ativas), lançado pela própria Organização Mundial da Saúde em junho deste ano e que será referendado na reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis que acontece no próximo dia 27, em Nova York. O plano é um roteiro para as intervenções necessárias em todos os países, com o objetivo de reduzir a inatividade física entre adultos e adolescentes em 10% até 2025 e 15% até 2030.
Enquanto isso, por aqui, o Brasil vive um momento em que precisa enfrentar inúmeros problemas. O sedentarismo, como se vê, é mais um, mas não menos importante. Vale descobrir o que pensam a respeito os candidatos à Presidência, Senado, Câmara de Deputados e Assembleias Legislativas estaduais.


Para saber mais:


Vídeo da campanha da OMS: Let´s be active 

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