quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Pés a salvo - parte 2


No último post, começamos a falar sobre o pé diabético. O assunto pode render muitos e muitos textos, tanto pela relevância como pela diversidade de aspectos que o envolvem.
Hoje, porém, quero falar sobre o aspecto mais pessoal, individual. Ou seja: o que cada pessoa com diabetes tipo 2 pode fazer para manter os seus pés a salvo.
Claro que ter a glicemia sob controle reduz o risco: uma queda de 40% na incidência de neuropatia, a complicação que afeta os nervos e leva à perda de sensibilidade, um dos tripés da síndrome do pé diabético. Foi o que mostrou o UKPDS (United Kingdon Prospective Diabetes Study), um dos mais importantes estudos da área.
Mas prevenir o pé diabético – e suas consequências – vai mais além. É um cuidado diário, contínuo. E está ao alcance de todos.
Vamos lá? A primeira providência: no banho, lembre-se de lavar os pés. Sim, aquela água que escorre do chuveiro não basta para limpar. Lave cuidadosamente com sabonete não abrasivo. Depois, seque muito, muito bem, especialmente entre os dedos. E hidrate – mas lembre-se de não passar o creme entre os dedos, área propícia a micoses (frieiras).
Além disso:
  • Examine meias e sapatos antes de usar.
  • Use meias de algodão, sem costuras.
  • Use sapatos confortáveis. Evite bico fino, salto alto, tiras ou partes de metal em contato com a pele.
  • Mantenha as unhas com corte reto.
Agora, o mais importante: examine os próprios pés, todos os dias! O que procurar? Micoses, escoriações, úlceras, rachaduras, calosidades, mudanças de cor ou temperatura. Ou seja, qualquer coisa fora do normal. Notou alguma anormalidade? Não tente “consertar”: nada de furar bolhas, retirar calos ou verrugas, mexer nos “cantinhos” da unha, passar lixa na rachadura, tratar a micose com aquele remédio que deu "super certo" para o vizinho. Converse com seu médico ou profissional de saúde, para que o problema seja tratado adequadamente.
E por falar em profissional de saúde: peça ao seu médico para examinar seus pés ou indicar alguém da equipe de atendimento. Existem testes para avaliar a sensibilidade (diapasão e monofilamento) e a vascularização (palpação dos pulsos) dos pés. São procedimentos simples, que podem evitar problemas bem complicados.
Caso você já tenha algum grau de neuropatia periférica, com alguma perda de sensibilidade e de vascularização, é preciso redobrar esses cuidados, para evitar o surgimento de úlceras. E, claro, controlar a glicemia para impedir o agravamento do problema.
Vale lembrar que a presença de neuropatia periférica NÃO IMPEDE a prática de atividade física. É possível fazer uma caminhada leve e não muito prolongada, exercícios na água, na bicicleta (comum ou estacionária), musculação, ioga, pilates etc., sempre com o cuidado de não haver pressão excessiva sobre os pés. A atividade física é fundamental não apenas para controlar a glicemia, mas para manter a saúde cardiovascular, melhorando o fluxo sanguíneo para os membros inferiores. Mais: o exercício garante a saúde das articulações, o que também é fundamental para prevenir que a síndrome do pé diabético aconteça ou progrida. Pouca flexibilidade nos tornozelos e nos dedos afeta a habilidade do pé de distribuir a pressão e o estresse, o que aumenta o risco de lesões.
Viu? Seus pés só precisam de um pouco de carinho e atenção. Cuide bem deles

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