terça-feira, 12 de junho de 2018

De olho no olho



Um dos grandes medos de quem recebe o diagnóstico de diabetes é o risco de cegueira. O receio não é infundado: os olhos, mais especificamente a retina, são alvos da glicemia descontrolada. A retinopatia diabética é a complicação microvascular (dos pequenos vasos) mais comum no diabetes e é a principal causa de cegueira em adultos de 20 a 74 anos.
A retina é a camada mais interna do olho, responsável pela formação das imagens enviadas ao cérebro. A retinopatia é uma lesão degenerativa que ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos ali localizados, que são bem fininhos.
Cerca de 60% das pessoas que têm diabetes tipo 2 há mais de 20 anos apresentam algum grau de retinopatia. O risco é maior na presença de tabagismo, pressão alta e colesterol elevado.
A retinopatia diabética pode ser classificada como não proliferativa ou proliferativa.
·         Não proliferativa: é o estágio inicial da doença. Surgem pequenas dilatações nos vasos (chamadas de microaneurismas). Em estágios mais avançados (fase não proliferativa moderada e severa), ocorrem pequenas hemorragias e obstrução de alguns vasos sanguíneos.
·         Proliferativa: é o estágio mais avançado e perigoso. Caracteriza-se pelo aparecimento de novos vasos sanguíneos na retina. Isso acontece como resultado do aumento da obstrução desses vasos, o que deixa algumas áreas da retina sem suprimento de sangue e, consequentemente, sem oxigênio e nutrientes (isquemia). Estas áreas isquêmicas podem então estimular a formação de novos vasos sanguíneos. Esses neovasos surgem sem causar qualquer sintoma. Mas são frágeis e podem se romper, provocando hemorragia vítrea. Também podem causar deslocamento da retina e glaucoma neovascular. Cerca de metade das pessoas com retinopatia proliferativa desenvolve edema macular, inchaço da mácula (pequena área no centro da retina responsável pela visão central) pelo acúmulo de líquido.

Sim, parece um show de horrores. Mas vamos às boas notícias:
1.       É possível PREVENIR o surgimento da neuropatia.
2.       É possível controlar o DESENVOLVIMENTO da retinopatia já instalada.
3.       É possível TRATAR a retinopatia em quase todos os estágios.
Como? Controlar a glicemia é o primeiro passo. De acordo com um dos principais estudos sobre diabetes já realizados, o DCCT (Diabetes Control and Complications Trial), cada 1% de redução da hemoglobina glicada reduz em 35% o risco de aparecimento da retinopatia e em 39% a progressão da complicação. Também é importante manter a pressão e o colesterol sob controle. E, claro, parar de fumar.
Outro cuidado fundamental: fazer exames oftalmológicos regulares. Claro que você deve procurar um médico ao primeiro sinal de dificuldade para enxergar. Mas não basta: a retinopatia pode se instalar sem apresentar sintomas. E o risco de cegueira pode ser reduzido a menos de 5% com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Quem tem DM2 deve fazer o primeiro exame dos olhos já no diagnóstico do diabetes. E repetir o exame TODO ANO – o intervalo entre os exames deve ser menor se houver alguma alteração na retina. A visita ao oftalmologista também é importante porque catarata, glaucoma e outras patologias oculares também são frequentes e precoces nas pessoas com diabetes.
Já fez seu exame este ano?

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