sexta-feira, 8 de junho de 2018

Melhor no prato


A relação entre o consumo de suplementos de ômega 3 e as doenças cardiovasculares foi alvo de uma meta-análise publicada recentemente no Jama Cardiology, uma importante revista científica internacional. Meta-análise é um estudo de grande porte, que analisa diversas pesquisas sobre o mesmo assunto. Nesse caso, foram compilados 10 ensaios clínicos envolvendo quase 78 mil pacientes de todo o mundo, acompanhados em média por mais de 4 anos.
O resultado surpreendeu: a suplementação de ômega-3 (origem marinha) de nada serviu no sentido de prevenir o desenvolvimento de doenças do coração. Não houve redução significativa em mortes por doença coronariana, infartos não fatais ou qualquer evento cardiovascular, tanto na população em geral como nos subgrupos avaliados – incluindo pacientes de risco, como pessoas com antecedentes de doença cardíaca, diabetes e dislipidemia.
O ômega 3 é um ácido graxo essencial poli-insaturado. Ou seja, é uma molécula de gordura que o organismo não é capaz de produzir e que pertence à classe dos poliinsaturados, considerados benéficos para a saúde em geral, em especial do sistema cardiovascular. Isso principalmente por seu poder anti-inflamatório. Está presente principalmente em peixes como salmão, sardinha e atum. Também na linhaça, na chia e nas nozes.
Há tempos as pesquisas mostram os benefícios do ômega-3 para os vasos sanguíneos. Afinal, esse ácido graxo é um dos elementos-chave da chamada Dieta Mediterrânea, por si só capaz de reduzir em 30% o risco cardiovascular. Mais: a simples substituição parcial das gorduras de origem animal pelas poli-insaturadas diminui o risco em 17%.
Tudo estava errado então? Não! O que esse estudo mostra é que a suplementação de ômega-3 traz pouco ou nenhum resultado. Não o ômega-3 em si. Aí está a chave: não basta tomar um comprimido com o tal ingrediente milagroso, especialmente se você não abrir mão do consumo regular de picanha, presunto, manteiga, leite integral, por exemplo. É preciso mudar o estilo de alimentação. O ômega-3 consegue atuar e trazer benefícios dentro de uma dieta ao estilo da Mediterrânea ou similar, ou seja, caracterizada por um maior ingestão de legumes, frutas, grãos, nozes e pouco consumo de carne vermelha, leite, ovos e queijos.
Difícil? Com certeza. Mas longe de ser inviável. Uma dica: imponha-se algumas metas. Pode ser comer mais legumes, trocar a carne por peixe pelo menos 2 vezes na semana, substituir o biscoitinho do lanche da tarde por um pacote de nozes e amêndoas. Depois reduza o consumo de embutidos, opte por carnes mais magras e por aí vai. Aos poucos acostume seu corpo a novos padrões alimentares.
Experimente!



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nova insulina no mercado. E eu com isso?

Chegou recentemente ao mercado brasileiro a insulina FIASP ( Fast-Acting Insulina Aspart ), do laboratório Novo Nordisk. Trata-se de uma i...