quinta-feira, 21 de junho de 2018

Sem bola de cristal


A monitorização da glicemia é a principal ferramenta de autoconhecimento para quem tem diabetes. Ninguém tem bola de cristal para saber como estão os níveis de açúcar no sangue. Não adianta jogar búzios, tirar tarô ou chamar o síndico: para conferi a glicemia, só com o furinho no dedo.
O teste de glicemia capilar – chamado informalmente de “ponta de dedo” – reflete o nível glicêmico atual e instantâneo. Ou seja, o número que aparece no aparelhinho é o tanto de açúcar que tem no sangue no momento exato do teste. Como uma fotografia.
Feito rotineiramente, o teste permite que a pessoa com diabetes avalie sua resposta individual à terapia e se os alvos glicêmicos estão sendo alcançados. O respaldo é oficial: a influente American Diabetes Association (ADA) considera a automonitorização glicêmica como parte integrante do conjunto de intervenções e como componente essencial de uma efetiva estratégia terapêutica para o controle adequado do diabetes. Os resultados da automonitorização devem ser integrados ao gerenciamento do diabetes de forma a orientar a alimentação e a prática de atividade física, prevenindo hipoglicemias e permitindo ajustes nos medicamentos.
Mesmo sendo assim tão importante, é uma ferramenta subutilizada, especialmente pelas pessoas com DM2. No diabetes tipo 1, a automonitorização é essencial para ajuste de doses de insulina. Mas não dá mais para questionar se monitorar é útil no DM2. Ok, não é preciso fazer 6 a 8 testes por dia, como no diabetes tipo 1. O que fazer, então?
Não existe um consenso entre os especialistas sobre qual o esquema ideal de automonitorização da glicemia para o diabetes tipo 2. As diretrizes sobre as frequências recomendadas e os horários para a realização dos testes variam entre as entidades científicas internacionais. Talvez por isso, o que se vê na prática é que a maioria das pessoas com DM2 não tem ideia do que acontece com a glicemia durante o dia. Em geral, realizam testes isolados e esporádicos. Na melhor das hipóteses, fazem o teste apenas pela manhã, em jejum. O que, na prática, pouco serve para avaliar o controle glicêmico. Ou avalia apenas um aspecto do controle.
Mas o consenso existe sobre a necessidade de maior frequência de testes e em horários diferentes, além do jejum. Principalmente antes (glicemia pré-prandial) e depois das refeições (pós-prandial, teste realizado 2 horas depois do início da refeição). As pesquisas mostram que a glicemia alta nesse período pós-prandial é um fator independente de risco para as complicações macrovasculares (especialmente doença cardíaca), trazendo maior perigo também para retinopatia, câncer e comprometimento da função cognitiva (em idosos). O alerta vem da International Diabetes Federation (IDF).
Daí porque cada pessoa com diabetes tipo 2 deve encontrar, junto com a equipe médica, qual a frequência de testes mais recomendada e a mais viável para o seu caso. Deve ser levado em conta, na hora de definir o esquema de automonitorização da glicemia, quais as condições clínicas específicas de cada pessoa e de cada momento do tratamento.
A Sociedade Brasileira de Diabetes, no seu posicionamento oficial sobre a Conduta Terapêutica no Diabetes Tipo 2, de 2018, recomenda a prática da automonitorização de acordo com a tabela abaixo: 

E então? Vamos começar a monitorar a glicemia? Não desperdice um recurso tão fundamental para seu autoconhecimento. E, portanto, para a sua saúde.
Para ajudar, no próximo post vamos conversar sobre como realizar o teste e como usar os resultados para melhorar o seu tratamento.

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