segunda-feira, 28 de maio de 2018

Autocuidado começa no prato



A alimentação é um dos pilares do tratamento do diabetes. É também o foco das maiores dificuldades no manejo da condição, especialmente no DM2.
O problema é que, ao receber o diagnóstico de diabetes, a pessoa – e todos a seu redor – pensam que a partir dali a alimentação vai ter de mudar radicalmente. “Não poderei comer mais nada”, é a queixa e preocupação comuns.
Esse é o primeiro mito a ser derrubado. Sabe qual a diferença entre a dieta saudável, que deveria ser seguida por todos, e a alimentação recomendada para quem tem diabetes? NENHUMA.
Na verdade, a diferença está na atitude com relação à alimentação. É adotar a alimentação como uma forma de autocuidado. O que deveria ser seguido por todos, com diabetes ou não. O problema está em enxergar o cuidado que deve ser dado às refeições como uma punição, castigo por ter diabetes.
Outro mito a derrubar, que envolve as maiores "dores" no diabetes: quem tem diabetes PODE COMER AÇÚCAR. A sacarose (nome “oficial” do açúcar de mesa) é um tipo de açúcar simples, que tem reflexo rápido na glicemia. Mas os alimentos contendo açúcar não aumentam a glicemia mais do que outros carboidratos, quando ingeridos em quantidade equivalente. Não sou eu que estou dizendo: está lá nas Diretrizes da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) 2017-2018.
Sim, é preciso controlar as quantidades. Mas isso não é para todos? Quem tem diabetes não pode comer o pudim inteiro. Mas eu também não posso, ninguém pode. A Organização Mundial da Saúde recomenda PARA TODA A POPULAÇÃO que o consumo de sacarose não ultrapasse 5% do total diário de calorias consumidas. Se pensarmos em uma dieta de 2000 calorias, seriam 25 gramas de açúcar por dia. Para ter uma idéia, aqueles pacotinhos disponíveis nas cafeterias têm 5g cada. Difícil saber quanta sacarose há escondida na bolachinha recheada ou no bolo de chocolate. Mas UMA latinha (350ml) de refrigerante contém 35g de açúcar, superando sozinha a meta diária.
Falando em açúcar, lembramos de carboidratos, que também não estão proibidos para quem tem diabetes. A recomendação é a mesma do que para a população em geral. Assim como a recomendação para o consumo de proteínas, gorduras, legumes, verduras e frutas.
Frutas? Mas fruta pode no DM2? Sim. E QUALQUER fruta. Vale caqui, manga, uva, sapoti, atemoia, açaí etc. etc. É o mesmo conceito: frutas têm frutose, um tipo de açúcar que também gera impacto na glicemia. De novo, tudo depende da quantidade. Se você comer 5 bananas, a glicemia vai subir muito. A sua e a de quem não tem diabetes também. Não é saudável para ninguém. Cuidado também com sucos concentrados, que são, na prática, várias unidades de frutas em um único copo. Mas não se esqueça de que frutas têm micronutrientes fundamentais e não podem ficar de fora da dieta. Basta distribuir esse consumo durante o dia.
Essas são apenas algumas pinceladas sobre o que é uma alimentação saudável. Em outros momentos, vamos falar de escolhas saudáveis, dos melhores tipos de carboidratos, proteínas e gorduras. Para todos.
No mais, o planejamento alimentar deve ser individualizado, levando em conta necessidades e preferências. Pode valer a pena consultar uma nutricionista. Estudos mostram que a intervenção nutricional tem impacto significativo na redução da hemoglobina glicada no DM2 depois de 3 a 6 meses de seguimento com profissional especialista.
No artigo Por que consultar um nutricionista, publicado no site da SBD, a nutricionista Marlene Merino, da Universidade Federal Fluminense, lembra que a primeira consulta com um profissional de nutrição deve ocorrer idealmente logo após a consulta com o médico que fez o diagnóstico de diabetes. “Assim, toda a ansiedade em relação à alimentação vai ser atenuada e mais rapidamente haverá melhora da glicemia”.
O importante é adotar um plano alimentar que faça da comida uma fonte de saúde e prazer. Não uma briga diária. Menos ainda uma rota sem volta para complicações de saúde.
Aproveite o diagnóstico de diabetes para dar a volta por cima e começar a cuidar da sua saúde no prato.


Veja:  

Artigo da nutricionista Marlene Marino

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