segunda-feira, 7 de maio de 2018

No alvo



Qual a glicemia ideal? Quer dizer, você já sabe que diabetes significa excesso de açúcar no sangue, ou seja, glicemia alta. Mas quanto é isso? Quando começa o risco?
Dois grandes estudos epidemiológicos da década de 1990 -- UKPDS (United Kingdon Prospective Diabetes Study) e o DCCT (The Diabetes and Complications Trial) – comprovaram que quanto melhor o controle da glicemia, menor o risco das chamadas complicações crônicas do diabetes. E a partir deles os médicos definiram metas de tratamento, ou seja, como deve ficar a glicemia de quem tem diabetes para manter-se saudável.
Aqui eu reforço uma das minhas principais crenças: uma pessoa com diabetes NÃO É DOENTE. Com o tratamento e o controle adequado, pode ser TÃO ou MAIS saudável quanto alguém sem diabetes. Doença é o que o diabetes pode causar se não for controlado (tema para outro post)
Mas voltando ao assunto de hoje. As metas de tratamento. Vejam a tabela abaixo:


Lembrando que a medida após a refeição deve ser feita 2 horas depois do início da refeição (primeira garfada).

Saber como andam esses números não serve para deixar você contente ou frustrado. Pouco adianta medir a glicemia apenas em jejum e muito de vez em quando. Porque, como já foi dito aqui, o resultado que aparece no aparelhinho de glicemia mostra a taxa de açúcar no sangue naquele exato momento, como numa fotografia. Pode ser, por exemplo, que sua glicemia de jejum esteja dentro da meta, mas depois do café da manhã suba uma barbaridade.
Como saber? As pessoas com diabetes tipo 1 têm costume de monitorar a glicemia várias vezes ao dia, porque é a partir dessa monitorização (no sistema de tratamento intensivo) que é definida a dose de insulina a ser aplicada. No DM2, isso não acontece – ou acontece raramente. É um dos aspectos em que o DM2 é desassistido. É uma falha na atenção/orientação dada a quem tem diabetes tipo 2.
A monitorização da glicemia é a melhor ferramenta de autoconhecimento no diabetes. Só a partir da monitorização você sabe se o pão de queijo faz subir mais a sua glicemia do que o pão francês. Ou vice-versa. Ou qual o tamanho da fatia de melancia você pode comer sem causar um estrago.
A monitorização doméstica é simples. Os glicosímetros (monitores de glicemia capilar) são fáceis de usar e não têm muito segredo. Ok, há o problema do preço e do fornecimento de fitas para medição de glicemia. No serviço público, só são distribuídas gratuitamente para quem usa insulina (inclusive com diabetes tipo 2). Mas você pode fazer um plano de monitorização. Converse com o seu médico e/ou a equipe que atende você. Não precisa medir todo dia, não precisa medir toda hora. Mas programe-se para fazer um dia em jejum, no outro dia antes e depois do almoço. No outro, antes e depois do jantar. E por aí vai. São apenas exemplos.
Mesmo que você ainda não tenha um plano, tente fazer algumas experiências. Você vai se surpreender com os resultados e vai perceber como isso ajuda a entender o funcionamento do seu organismo em determinadas situações.
Lembre-se: acima de 180 mg/dl tem-se a chamada hiperglicemia, que é uma definição acadêmica sim, mas baseada em estudos que mostram ser esse o patamar a partir do qual os efeitos maléficos da glicose no sangue começam a acontecer. Ou seja, é a partir daí que a porca começa a torcer o rabo.
Hoje, sabe-se que glicemias elevadas ou muito baixas (picos e vales), se eventuais, não são o problema. Reforçando: SE EVENTUAIS.       O importante é manter a glicemia dentro do alvo o maior tempo possível. Quanto mais tempo na meta, menor o risco de complicações.
Você não tem bola de cristal. E glicemia alta nem sempre – ou quase nunca – traz sintomas. Por isso a monitorização é tão fundamental. Vamos furar o dedo?



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