sexta-feira, 18 de maio de 2018

E o coração padece


O coração é a maior causa de morte no diabetes. Nada menos do que 3 em cada 4 pessoas com diabetes morrem de doença cardiovascular. Isso porque a glicemia constantemente elevada altera a função das células do endotélio, que é o revestimento interno dos vasos sanguíneos. Quando o dano atinge os pequenos vasos, surgem as complicações microvasculares, como a retinopatia, a nefropatia e a neuropatia (falamos sobre elas no último post, Complica não). Quando os vasos afetados são os grandes, tem-se a doença cardiovascular.
Para piorar, as pessoas com diabetes – especialmente no DM2 – costumam apresentar outros fatores de risco, como hipertensão, níveis elevados de colesterol e triglicérides, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e dieta inadequada. O estudo Diab-Core, realizado na Alemanha junto a quase 1300 pacientes com diabetes tipo 2, mostrou que 82,5% também apresentam hipertensão e quase 55% têm dislipidemia (estima-se que 49% tenham pressão alta já no diagnóstico). Pior: 77% não conseguem sucesso no controle das duas patologias. Sem contar que o fato de ter diabetes aumenta a chance de desenvolver hipertensão, aumentar o colesterol e é fator de risco para a insuficiência cardíaca.


Imaginem o quadro: a glicemia alta causa danos ao endotélio, como explicamos acima. O que facilita a deposição de placas de gordura, resultado do colesterol elevado. Daí, a pressão alta enrijece a parede das artérias (em caso de fumantes e sedentários, mais ainda), que perdem elasticidade para a passagem do sangue.  Resultado?  Bloqueio do vaso. Se acontecer no coração, é infarto. Se for no cérebro, AVC (acidente vascular cerebral ou derrame). Como consequência, a cada ano 47 em cada 1000 pessoas com diabetes têm um evento cardiovascular.



O que fazer? Sentar e chorar?? Nada disso. A boa notícia – sim, existe boa notícia – é que o autocuidado é capaz de reverter esse quadro. Manter a glicemia sob controle traz uma redução de 57% na mortalidade cardiovascular, segundo um importante estudo clínico DCCT (Diabetes Control and Complications Trail). Mas não basta: é preciso tratar as doenças associadas – pressão alta, dislipidemia, insuficiência cardíaca – e adotar mudanças no estilo de vida, o que inclui parar de fumar, seguir uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente.
Para começar, é preciso reconhecer a existência do risco. Em pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência e a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) em 2016, apenas 42% dos entrevistados citaram as doenças cardíacas como as complicações mais relevantes do diabetes. Por isso mesmo está em andamento um estudo mundial da IDF (International Diabetes Federation) para avaliar o conhecimento que as pessoas com DM2 têm sobre os riscos relativos ao coração (veja abaixo o vídeo da campanha). O estudo Taking Diabetes to Heart pode ser acessado em https://bit.ly/2L5esn5 (ou no site www.idf.org/cvd) e deve respondido até o próximo dia 31 de maio. Vai lá!

De novo vale a mensagem: informação é poder. É preciso aumentar o acesso ao diagnóstico, tanto de diabetes como das comorbidades (doenças associadas, como hipertensão e colesterol elevado). É preciso disseminar a informação sobre o risco cardiovascular no diabetes. Há muito a ser feito pelo poder público, pela mídia, pelas entidades médicas e de pacientes.
Mas você que tem DM2 também precisa fazer a sua parte. Assuma o desafio de cuidar do seu tratamento de forma global:
  •         Adote uma alimentação mais saudável
  •      Pratique uma atividade física regular
  •         Procure uma equipe de saúde competente e comprometida, capaz de orientá-lo para o autocuidado
  •         Monitore sua glicemia constantemente e faça exames médicos regulares para rastrear as complicações
  •         Lute pelo acesso a tiras de teste, medicamentos mais adequados e um atendimento médico de melhor qualidade.

Aí o coração vai agradecer.









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