terça-feira, 22 de maio de 2018

Cinturinha de pilão?


Certamente você já ouviu falar que diabetes tipo 2 tem a ver com obesidade. Talvez até você ache que tem a ver APENAS com obesidade.
Sim, o excesso de peso é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do DM2. Especialmente a gordura acumulada ao redor da cintura. Isso porque a gordura corporal favorece o desenvolvimento da chamada resistência à insulina. Funciona assim: o aumento do tecido adiposo leva o pâncreas a produzir mais insulina. O excesso de insulina começa a gerar a resistência, por um mecanismo de saturação dos receptores celulares. Quanto mais insulina é produzida, maior a resistência.
Esse ciclo facilmente entra em desequilíbrio, trazendo aumento da glicemia. A isso se soma a presença de células adiposas sobrecarregadas (com muita gordura!), gerando no organismo um ambiente inflamatório. Que é fator de risco não apenas para o diabetes tipo 2 mas também para problemas cardiovasculares, especialmente pressão alta e aterosclerose (formação de placas de gordura na parede interna dos vasos sanguíneos).


Mas não apenas o peso extra causa DM2. Muitas pessoas magras têm diabetes e outras gordinhas nunca vão desenvolver a doença. Isso porque existem outros fatores de risco também determinantes para o diabetes tipo 2. Os principais são histórico familiar (pai/mãe/irmão com DM2), dieta desequilibrada e falta de exercício. Esse é ou não um perfil comum? Infelizmente, hoje um número enorme de pessoas não faz escolhas saudáveis. Por que então só quem tem diabetes tipo 2 é tachado de preguiçoso, descomprometido, desleixado?
No início dos anos 2000, alguns estudos importantes mostravam que adotar um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, é a base para evitar ou retardar o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Paradoxalmente, essas pesquisas contribuíram para criar ou amplificar o estigma sobre o DM2, que passou a ser visto como resultado de um “estilo de vida doente”. Ou seja, culpa da vítima.
Porém, diabetes tipo 2 é mais do que isso. É uma condição multifatorial, que envolve mecanismos fisiológicos nem sempre controláveis. Culpar uma pessoa com DM2 por sua condição é fazer uma série de suposições – verdadeiras ou não – sobre o modo como ela vive a vida. Mesmo que a pessoa não tenha feito ou não faça as escolhas mais saudáveis, por que o preconceito? Outras doenças e condições são causadas por maus hábitos, mas não se estabelece culpa no infarto ou na hipertensão, por exemplo.
Mas voltando ao nosso assunto de hoje. Se você ainda não tem o diagnóstico ou se está desconfiado que o cônjuge ou amigo(a) tenha DM2, saiba que também podem ser indicativos de risco:
·         Pressão alta
·         Dislipidemia (taxa elevada de colesterol ou triglicérides)
·         Diabetes gestacional prévio (ou bebê nascido com mais de 4 kg)
·         Síndrome de ovários policísticos
·         Apneia do sono
·         E, claro, ter diagnóstico de pré-diabetes (diminuição da tolerância à glicose ou glicose de jejum alterada)
Você também pode fazer o teste disponível no site da IDF (International Diabetes Federation), em https://www.idf.org/type-2-diabetes-risk-assessment/.

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